Orienta-te Redes Sociais
Gabriel Leite Mota

Gabriel Leite Mota é Investigador e docente universitário doutorado em Economia da Felicidade

DR

Crónica

Em defesa do trabalho intelectual

O estímulo, desenvolvimento e aproveitamento do pensamento humano é o responsável por termos saído da idade da pedra e termos chegado ao mundo desenvolvido do nosso tempo

Texto de Gabriel Leite Mota • 19/12/2013 - 16:20

Distribuir

Imprimir

//

A A

Portugal é um dos países da OCDE com mais baixo nível de escolaridade. Para além de outras, isso tem duas consequências muito notórias e nefastas: a baixa produtividade do nosso país e uma desvalorização mesquinha do trabalho intelectual.

 

São demais aqueles que dizem que os intelectuais não trabalham (limitam-se a pensar) por contraposição aos trabalhadores que carregam batatas, montam tijolos ou vendem automóveis, esses sim, os que verdadeiramente labutam. Pois que do suor do corpo sai o pão nosso de cada dia e do pensamento, apenas frivolidades.

 

Esse desprezo pela função intelectual é inquietante. É que sem essas funções intelectuais continuaríamos a ser apenas o Homo erectus, e nunca o Homo sapiens sapiens. Ser o “humano sabedor sabedor” significa que somos o primata que se distingue dos outros por pensar mais, ter uma cultura complexa, um pensamento crítico e criativo e uma consciência alargada.

 

O estímulo, desenvolvimento e aproveitamento do pensamento humano é o responsável por termos saído da idade da pedra e termos chegado ao mundo desenvolvido do nosso tempo.

 

Sem o árduo trabalho intelectual dos cientistas não teríamos medicamentos, hospitais, aviões, computadores, Internet, telemóveis, televisão, carros, prédios, o aproveitamento da electricidade ou a energia nuclear. Bem que podíamos apelar à nossa força braçal que jamais construiríamos uma ponte sobre o Tejo sem os cálculos provindos do pensamento dos engenheiros e dos físicos.

 

Note-se que o mal não está em se valorizar o trabalho braçal ou não intelectual. Esse trabalho é valoroso e, mesmo que cada vez mais as máquinas (inventadas pelo pensamento humano) o façam com vantagem, ainda falta muito para que possamos dispensar todo o trabalho humano não intelectual. O mal está na desvalorização do intelectual. De resto, e como sempre, há bons e maus trabalhadores. Há bons e maus trolhas como há bons e maus filósofos. Mas ambos devem ser respeitados e valorizados quando são bons.

 

O trabalho dos professores, médicos, juízes, filósofos, cientistas e criadores artísticos é definidor de civilização. É graças a eles que temos o bem-estar material e imaterial próprio da modernidade. Não perceber isso, e desvalorizar esse mesmo trabalho, é perigoso. Se abalarmos as condições institucionais e culturais para que esse trabalho floresça (desvalorizando-o ou cortando-lhe os fundos financeiros), estamos a condenar o futuro.

 

Ser humano é ser pensador. Colher os frutos do pensamento é um sinal de inteligência. De resto, e como dizia o psicólogo alemão Kurt Lewin, não há nada mais prático do que uma boa teoria…

Eu acho que
Videoclipe.pt

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Crónica

A maioria dos advogados e solicitadores não faz milhares de euros, faz pouco dinheiro por mês, o que torna um desconto obrigatório de 243 euros uma violência...

“Hacker mais valioso” do mundo quer...

Tecnologia // André Baptista, 24 anos, sagrou-se o “hacker mais valioso” num concurso...