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Baumgartner celebra o feito ao lado do director do projecto, Art Thompson Joerg Mitter/Red Bull/Reuters

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Felix Baumgartner bateu a velocidade do som e mais uns recordes estratosféricos

O austríaco de 43 anos bateu a velocidade do som num salto visto por mais de oito milhões de pessoas no YouTube

Texto de Victor Ferreira e Hugo Torres • 15/10/2012 - 10:36

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O mergulho na estratosfera protagonizado no domingo pelo saltador Felix Baumgartner atingiu o objectivo. O destemido austríaco, de 43 anos, bateu a velocidade do som. Mais de oito milhões de pessoas viram-no pelo Youtube, onde a proeza foi transmitida em directo na página do patrocinador do projecto.

 

Muitos mais milhões de pessoas viram o salto na televisão. "Foi mais difícil do que esperava", declarou Baumgartner, depois de chegar ileso à Terra. "Acreditem em mim: quando se está lá em cima, no topo do mundo, tornamo-nos muito humildes. Já não é sobre bater recordes, nem recolher dados científicos. Tudo se centra em regressar a casa", acrescentou, na primeira entrevista, a uma televisão austríaca. "Sei que o mundo me está a ver. Desejo que todos pudessem ver o que eu vi. Às vezes temos de chegar muito alto para ver como somos pequenos."

 

Depois de cinco anos a preparar o feito estratosférico conseguido no domingo, Baumgartner atingiu durante o salto a velocidade máxima de 1341,9 km/h, ou seja 1,24 vezes a velocidade do som. Torna-se assim o primeiro homem a bater a velocidade do som sem propulsão. Além disso assegurou mais três recordes.

 

O enorme balão de hélio que transportou a cápsula de Baumgartner atingiu os 39.068 metros de altitude e fez do austríaco o homem que mais alto voou à boleia de um balão. Esse foi o primeiro recorde que bateu, duas horas e meia após o lançamento da cápsula. O segundo e o terceiro decorriam do primeiro: o mais alto e mais rápido mergulho em queda livre de sempre.

 

Momentos difíceis 

O balão de hélio com a cápsula subiu três quilómetros mais do que estava inicialmente previsto. Quando chegou o momento, Baumgartner saiu do lugar, abriu a escotilha, ficou uns momentos a olhar para o vazio, com a terra lá longe ao fundo, fez uma última saudação e deixou-se ir.

 

Houve momentos mais complicados, sobretudo no início da queda livre. Dado o ar rarefeito da estratosfera, o corpo de Baumgartner não parou de rodopiar de forma descontrolada. Nessa altura corria o risco de atingir tal velocidade de rotação que afastasse o sangue do centro do corpo "A partir de um determinado nível de rotações por minuto, o sangue só tem uma maneira de sair do corpo, e isso é através dos olhos. Isso significa que estarás morto e esse era um dos nossos receios", explicou Baumgartner, que reassumiu controlo quando a atmosfera se tornou mais densa.

 

A descida demorou aproximadamente 15 minutos, dos quais 4m20s em queda livre, sobre o deserto do Novo México, nos EUA. O voo em queda livre foi a parte mais delicada para a sobrevivência do aventureiro, dado o risco de danificar os olhos, o cérebro e o sistema cardiovascular. "Tive sempre consciência do que estava a acontecer", disse o saltador, que pratica o sky dive desde os 16 anos. Porém, viajar a uma velocidade tão elevada é complicado: "É difícil de descrever porque não sentes isso", disse Baumgartner à AP. Sem pontos de referência, "não sabes a que velocidade vais", acrescenta a mesma agência.

 

Recorde pulverizado

Um dos recordes batidos por aquele a quem chamam "Felix Destemido" ("Fearless Felix") vinha de 1960 e pertencia a Joe Kittinger, que então saltou de uma altura de um 31.333 metros. O antigo militar norte-americano, hoje com 83 anos, integrava a equipa de Felix Baumgartner e viu o austríaco ultrapassar em cerca de sete mil metros a sua marca. "Ele demonstrou que o Homem pode sobreviver numa situação de fuga a uma altitude muito elevada. Os futuros astronautas usarão o fato que Felix testou hoje", declarou Kittinger.

 

O salto tinha sido abortado por três vezes ao longo da última semana, por falta de condições meteorológicas. O projecto Red Bull Stratos foi financiado pela marca de bebida energética com o mesmo nome e, além de uma tentativa de bater recordes, tinha como objectivo servir de programa de testes de voo e de contribuir para a investigação em fatos especiais.

 

Baumgartner usou um fato pressurizado, que permitiu o salto estratosférico sem que a sua pele entrasse em ebulição. Desenvolvido para suportar temperaturas entre os 68ºC negativos e os 38ºC positivos, o fato serviu para proteger o saltador das baixas pressões e do frio extremo – àquela altura, as temperaturas podem ser tão baixas quanto 57ºC negativos.

 

A proeza de Baumgartner foi acompanhada no solo por uma vasta equipa com quase 300 pessoas no solo, incluindo mais de 70 engenheiros, cientistas e físicos. O centro de comando esteve instalado em Roswell. Tanto o fato como a cápsula que levou Baumgartner até aos 39 quilómetros de altitude (a fronteira oficial do espaço situa-se nos 100 km de altitude) foram feitos propositadamente para a ocasião.

 

Depois de tocar o solo, Baumgartner ajoelhou-se e saboreou o momento. A família e a mulher, que acompanharam tudo de perto, respiraram de alívio.

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