Katie corre para pôr a epilepsia a milhas

autoria Nuno Rafael Gomes

// data 28/11/2017 - 16:10

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Se Katie tem 14 ataques epilépticos por dia, são 14 as vezes em que se levanta e diz, sorrindo: "Estou bem". A jovem irlandesa, de 20 anos, corre e participa em maratonas para aliviar os sintomas do que lhe foi diagnosticado ainda em criança, aos 9, a epilepsia do lobo frontal. A disfunção do foro neurológico esteve controlada até aos 13 anos, mas o seu estado regrediu com as alterações hormonais associadas à idade. O caminho até à meta foi pautado por longas temporadas passadas num hospital em Dublin, onde realizou diversos tratamentos médicos, explica o site do Dia Internacional da Epilepsia. Aí, perdeu o controlo das costas, das ancas e das pernas, tendo depois passado seis meses numa cadeira de rodas. Após várias sessões de fisioterapia, voltou a conseguir andar e decidiu começar a correr todos os dias. Hoje, participa em maratonas e corre cinco quilómetros em 17 minutos, mostra o vídeo da plataforma Great Big Story.

 

É normal Katie ter ataques durante as corridas, mas há sempre quem a acompanhe até à meta. O seu companheiro de corrida, Colin Doherty, certifica-se de que a jovem se mantenha bem e acompanha-a em todas as competições, mas essa não é a sua única função. Colin é o neurologista de Katie e diz que os desafios que existem quando se tem epilepsia e se correm longas distâncias também existem quando se caminha, sendo que "os benefícios gerais prevalecem sobre esses riscos", comenta à BBC. Quando Katie cai durante as maratonas, há sempre quem a queira levar para a ambulância, mas o neurologista sabe que "a natureza da epilepsia [de Katie] significa que o seu corpo não precisa de tempo de recuperação". Para quem passa e vê, pode ser estranho, mas Katie levanta-se de imediato e volta a correr. De cada vez que os cordões são atados para mais uma volta, sabe que não vai curar a epilepsia — corre com ela.

Eu acho que