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Desporto

SwimRun, dois portugueses que correm e nadam pela tua saúde

O SwimRun é um desporto de resistência que nasceu na Suécia e viajou até Portugal. É a correr e a nadar que dois investigadores portugueses vão viajar até à Suécia para, no dia 4 de Setembro, participar na final do circuito mundial. O objectivo? Apoiar a Maratona da Saúde na prevenção de doenças cardiovasculares

Texto de Ana Rita Carvalho • 06/06/2017 - 17:30

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Juntar álcool com desporto não é, à partida, uma boa ideia. Mas foi. Há cerca de dez anos, um grupo de amigos suecos, "bem bebidos", fizeram entre si a aposta de correr ao longo de várias ilhas do arquipélago de Estocolmo, numa distância total de 75 quilómetros, sendo as ligações entre elas (cerca de dez quilómetros) feitas a nado. E assim nasceu o SwimRun, uma modalidade que tem vindo a crescer um pouco por todo o mundo e que pode ser resumida como um ciclo transitório entre corrida em trilhos na natureza (montanhas e ilhas), intercalada com natação em águas abertas (lagos e mares). Originalmente conhecida por Otillo (que significa “de ilha para ilha” em sueco) é disputada, geralmente, por equipas de dois elementos.

 

É o caso da dupla portuguesa, composta por Luís Moreira e Filipe Santos Silva. Treinam há cinco meses, agora na “carga máxima”, seis horas diárias e só descansam ao sábado. Sem patrocínios, suportam todas as despesas, desde viagens a alojamento. Desdobram-se em eforços e abdicam da dita “vida normal” por uma causa. O objectivo é cumprir o desafio ao qual se propuseram: a equipa, denominada Swimrun4health, lançou uma campanha de apoio à 4ª edição da Maratona da Saúde, na prevenção de doenças cardiovasculares – “1.000km pela Maratona da Saúde”.

 

Aos domingos é “o treino grande”. Fazem “a simulação da prova”. O P3 encontrou-os no Parque da Cidade, no Porto. Correm, entram no pontão de Matosinhos, nadam até ao edifício transparente, saem, dão novamente a volta ao Parque e repetem “quatro ou cinco vezes”. “Treinamos uma parte muito importante desta modalidade, que são as transições, entrada e saída da água, onde se perde muito tempo. Nós corremos com o fato de treino, nadámos com as sapatilhas, saímos da água e despimos apenas a parte de cima da fato por causa do calor e seguimos logo a correr outra vez”, explica Luís. Na primeira prova são 16 as transições, na segunda prova vão “atravessar o arquipélago de Estocolmo” e têm de percorrer 27 ilhas. “Se perdermos mais um ou dois minutos em ineficiência nessas transições, estamos a perder muitos quilómetros em tempo de corrida”, diz Filipe. “No ano passado (a primeira vez que concorreram juntos) percebemos que havia muito tempo que tinha de ser optimizado”, acrescenta.

 

“Temos um conjunto de profissionais que nos acompanham, nas diversas modalidades, e isso faz uma grande diferença”, refere Luís. Para a parte da corrida, são acompanhados por um antigo atleta olímpico de corta-mato do Sporting, o Professor Carlos Monteiro; já o Professor Carlos Fernandes acompanha a equipa na parte da natação e o Professor Pedro Fontes cede o ginásio MaisFit, em Vila Nova de Gaia. “Temos um plano específico de reforço muscular e articular, treino proprioceptivo, que é muito importante em provas de resistência. Estamos a falar de provas em que vamos, seguramente, estar mais de 7 horas a correr na primeira (na Suiça) e na segunda (na Suécia) cerca de 11 horas”, explica Filipe. “Há aqui um treino de reforço que é muito importante” e, para isso, a alimentação também deve ser controlada. A nível nutricional, é Joana Maranhas que orienta a equipa.

 

E é com base nesse acompanhamento que definem o plano de treino. À segunda-feira, por norma, fazem corrida de recuperação. Na terça, “natação de manhã e ginásio ao final do dia”. Quarta-feira é o dia da corrida longa intervalada. Na quinta fazem “reforço muscular, ginásio e natação em séries aqui na FADEUP (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, onde decorreu a entrevista)”. À sexta-feira, fazem “um treino longo de corrida ou trail na Serra de Canelas ou em Valongo”. “No sábado descansamos e domingo começa tudo outra vez”. O treino normalmente é este, mas depende sempre da actividade profissional dos atletas, ambos investigadores do i3s.

 

Filipe Santos Silva e Luís Moreira compõem a única equipa portuguesa a participar na final do circuito mundial de SwimRun na Suécia, no dia 4 de Setembro. “Este ano, pela primeira vez, deve aparecer uma outra equipa portuguesa na prova na Suiça (dia 9 de Junho)”, refere Filipe. “No total, são cerca de 200 equipas em competição”, femininas, mistas e masculinas e “60 a 70% das equipas já são profissionais, nós somos amadores sofredores”, diz Luís entre risos.

 

No passado dia 4 de Junho, o SwimRun chegou a Portugal. Apesar de ser, originalmente, disputado aos pares, esta primeira prova em território nacional, que contou com cerca de 200 inscrições, foi individual. “Optámos por esta solução, para dar a oportunidade a todos os que se iniciarem neste desporto”, explicou o organizador. O objectivo é “organizar um circuito nacional” e, quem sabe um dia, fazer parte do circuito internacional, até porque aqui “temos condições únicas para o SwimRun”. Ao contrário dos países nórdicos, em Portugal a modalidade pode ser praticada ao longo de todo o ano.

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