Estudo

Pulseiras desportivas erram muito a medir calorias gastas

Os aparelhos são bons a medir a frequência cardíaca, mas podem errar até 93% na medição do gasto de energético. Para os investigadores, a mensagem a reter é que os utilizadores não devem condicionar a dieta com base na informação que lêem no pulso

Texto de Karla Pequenino • 28/05/2017 - 12:09

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Os relógios e pulseiras que monitorizam a actividade física são bons para medir o batimento cardíaco dos utilizadores, mas ainda falham a avaliar as calorias queimadas: alguns dispositivos apresentam mesmo um nível de erro superior a 90%. O aviso vem num estudo publicado esta quarta-feira na revista científica Personalized Medicine.

 

A equipa – composta por investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e da Escola de Desporto e Saúde, na Suécia – recrutou 60 voluntários para pôr sete destes aparelhos (todos de diferentes marcas) à prova, ao comparar a informação obtida com medições profissionais feitas em laboratório. 

 

Os investigadores descobriram que a maioria dos dispositivos media a frequência cardíaca com uma percentagem de erro inferior a 5% – algo que surpreendeu a equipa pela positiva –, mas que nenhum conseguia avaliar correctamente o gasto energético, com percentagens de erro que variavam entre 27% e 93%.

 

“As medições de gasto energético estão longe de estar certas. A magnitude do erro surpreendeu-me”, diz Euan Ashley, professor de medicina cardiovascular na Universidade de Stanford e um dos autores do estudo, em comunicado, alertando que “as pessoas estão a basear decisões de vida com a informação dada por estes aparelhos”.

 

Segundo os investigadores, o ideal para dispositivos utilizados fora do cenário médico seria uma percentagem de erro até 10%.

 

Ao todo foram feitos 80 testes diferentes, enquanto os participantes – entre os 21 e os 64 anos de idade – andavam de bicicleta, corriam, ou ficavam simplesmente sentados. Todos tinham diferentes níveis de forma física e hábitos alimentares. Os valores obtidos dos aparelhos foram comparados com informação obtida a partir de electrocardiogramas e com a medição de calorimetria indirecta (uma medição dos níveis de oxigénio e dióxido de carbono na respiração, que permite medir o gasto calórico).

 

A mensagem a reter, explicam os investigadores, é que um utilizador já pode confiar no registo da frequência cardíaca destes aparelhos, mas não deve basear a sua dieta na informação que lê no pulso, visto que cada um dos dispositivos utiliza um algoritmo diferente para medir o gasto energético.

 

“É muito difícil treinar um algoritmo para ser igualmente preciso para uma grande variedade de pessoas, porque o gasto energético varia consoante o nível de actividade física, a altura e o peso de cada um”, explica em comunicado Anna Shcherbina, da Escola de Desporto e Saúde da Suécia.

 

Os dispositivos analisados pela equipa norte-americana foram o Fitbit Surge, Apple Watch, Samsung Gear S2, Basis Peak, Microsoft Band, Mio Alpha 2, e Pulse On. Em Portugal, apenas os três primeiros estão disponíveis para compra. Ao nível do batimento cardíaco, o melhor aparelho era o Apple Watch com cerca de 2,5% de erro, enquanto o pior era o Samsung Gear S2, com 6,5% de erro (era também o único que ultrapassava os 5%). Já ao nível do gasto energético, o Fitbit está no topo da lista, com uma percentagem de erro de 27%, enquanto o Pulse On apresentou valor perto com um erro próximo dos 93%.

 

Em declarações à Reuters, a Fitbit explicou que os seus medidores apenas dão uma estimativa total do número de calorias gastas: “Utilizamos uma estimativa cientificamente validada da taxa de metabolismo basal, que se baseia na informação sobre a altura, peso, idade e género que o utilizador disponibiliza ao criar a sua conta do Fitbit”.

 

O PÚBLICO não conseguiu obter respostas da Samsung e da Apple até à hora de publicação deste artigo.

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