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Luis Azevedo Rodrigues, Paleontólogo (PhD); Comunicador de Ciência; professor

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Joe Plocki/Flickr

Crónica

Carneiros, pardais e Copérnico

Dia 19 de Fevereiro é Dia de Copérnico. Pretexto para lembrar a minha avó Rosa e as suas histórias. Quem ler a crónica vai perceber o porquê

Texto de Luis Azevedo Rodrigues • 19/02/2013 - 17:26

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"Pelo Natal, um salto de pardal.

Em Janeiro, salto de carneiro."

 

A minha avó Rosa, mulher rija do Douro e de quem herdei a cor dos olhos e algum mau-feitio, contava-me este provérbio, de memória, que de outro registo não sabia. Sempre me socorri desta frase para explicar os dias tristes de Inverno, com longas noites e curtos dias, na esperança de que o tempo das tardes grandes finalmente chegasse.

 

De uns anos para cá, o mantra da avó Rosa começou a intrigar-me: por que é que do Natal para Janeiro o crescimento dos dias é tão notório? A avó Rosa, tenho a certeza, sabia muito da vida e de contar histórias (motivo pelo qual eu gostava de ficar em casa doente... mas isso é outro rosário), mas desconhecia a forma da órbita da Terra, bem como a inclinação do eixo do nosso planeta. Os dias crescem e decrescem, todos nós observamos o fenómeno ao longo do ano. Mas serão essas variações uniformes, até que ponto está correcto o provérbio da duração dos dias?

 

A duração dos dias está dependente sobretudo da inclinação do eixo da Terra relativamente ao seu plano de órbita. O nosso planeta não está perfeitamente verticalizado relativamente à sua órbita em torno do Sol, sendo a inclinação de aproximadamente 23.5º.

 

Se a avó Rosa fosse viva, dir-lhe-ia que a Terra era como um carrossel a girar em redor do Sol mas que os animais e os bancos de madeira estavam inclinados. A avó Rosa responderia apenas que o carrossel estava mal feito. Eu refilava: para além de inclinado, o girar do carrossel também não era perfeito.

 

Nesse momento agarrava-a pelo avental, porque a avó Rosa estaria já farta da minha história, e completava que a torre que costuma estar no centro do carrossel também não estaria bem no centro. Assim, as crianças que andam neste carrossel ora passam mais próximo da torre, ora se afastam dela, a cada volta que dão.

 

Mas que raio de carrossel mais estranho pensaria a Rosa Correia de Galafura.

 

E que tem isto que ver com os dias e os carneiros de Janeiro?

 

Esta história, que gostaria ter contado à minha avó, ilustra as duas condicionantes da variação da duração dos dias e das noites ao longo do ano. A soma destes dois efeitos — o efeito da órbita elíptica da Terra (ou ligeiramente elíptica) e a inclinação do seu eixo relativamente ao plano de órbita — são os motivos de os dias crescerem e decrescerem ao longo do ano.

 

Dirão os mais atentos que até agora nada de novo, tirando a avó Rosa que desconhecia.

 

Pois foi ela mesmo, e o dia de Copérnico, que me fizeram acabar este simples texto que perdurava na gaveta digital de textos inacabados.

 

A Rosa de Galafura sabia de histórias e muitas me contou.

 

Copérnico sabia apenas o seu lugar no Universo, o que não é nada mau.

Eu acho que
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