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Crónica

Corações ao lado: o que dizem os algoritmos no Mundial 2018?

Entre polvos, gatos, combinações e algoritmos, até a ciência dá a previsão do vencedor. Não sei se contabilizaram ou não a força do nosso coração lusitano e as rezas que cada um nós faz, mas ainda assim os resultados não estão do nosso lado

Texto de Rita de Almeida Neves • 14/06/2018 - 15:20

Rita de Almeida Neves
A Rita é bioquímica por paixão e comunicadora por natureza, fascinada pela eterna busca de gatos pretos em quartos escuros

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Cachecol ao peito, rituais alinhados, hinos na ponta da língua, apostas em cima da mesa, corações apertados — o Mundial 2018 está a começar. Desde os que sabem tudo sobre futebol, aos que mesmo sem saber o que é um fora de jogo não vão perder uma emissão, o mundo está todo de olhos e corações postos na Rússia. Entre polvos, gatos, combinações e algoritmos, até a ciência dá a previsão do vencedor. Agora, coração ao lado: o que nos diz afinal a matemática?

 

Um grupo de cientistas, da Universidade Técncia de Dortmund na Alemanha, usou um método de machine learning, análise estatística e computacional para identificar o vencedor do mundial. Além de simular cada jogo cem mil vezes, usaram três modelos diferentes de previsão de jogos através de dados de 2002 a 2014. A grande diferença é que não seleccionaram apenas a melhor equipa à partida — prevêem as probabilidades ao longo das várias etapas até ao final. Futurologia ou ciência?

 

No artigo publicado esta semana detalharam a técnica usada, chamada random-forest. É um método desenvolvido recentemente para analisar grandes quantidades de dados baseados no conceito de um futuro que pode ser previsto. Mesmo que à partida sejam como eu, que acho que estas coisas do futebol têm muitos "ques" e "ses", a verdade é que neste modelo existem as chamadas “árvores de decisão” que são bastante complexas. Este método prevê que um conjunto de dados seja calculado várias vezes em cada ramo da árvore aleatoriamente.

 

Para criar estas “árvores de decisão” foram usados vários factores, desde a classificação mundial de cada equipa segundo a FIFA, a idade média dos jogadores, os jogadores que participaram na Liga dos Campeões, até ao PIB de cada país, entre outros. Não sei se contabilizaram ou não a força do nosso coração lusitano e as rezas que cada um nós faz, mas ainda assim os resultados não estão do nosso lado.

 

No final dão a vitória aos nuestros hermanos, a Espanha, com uma probabilidade de sucesso de 17,8 por cento, e logo a seguir à Alemanha (17,1 por cento). Se os resultados se mostrarem verdadeiros, fica aberto o caminho para uma nova indústria de métodos em machine learning que, quem sabe, pode até tornar o modelo de apostas obsoleto.

 

Não podendo ter o coração ao lado, espero que os nossos guerreiros lusitanos mostrem que, apesar de as probabilidades não estarem do nosso lado, conseguimos vencer qualquer algoritmo e inovação estatística. Afinal, sempre fomos muito bons a contrariar os números. Como se diz sempre, “prognósticos só no fim do jogo”. 

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