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Crónica

Uma breve história de Stephen Hawking: da física à neurociência

Para além de ter encorajado jovens a seguir a via científica, penso que mais importante ainda foi o facto de ter dado algum alento a quem está igualmente restringido por uma condição debilitante

Texto de Diogo Trigo • 14/03/2018 - 18:50

Diogo Trigo
Diogo Trigo é neurocientista na Universidade de Aveiro

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A sui generis condição de Stephen Hawking tornou-o numa personagem maior do que a vida, para o qual contribuíram em iguais partes a combinação carismática de inteligência e a sua dedicação perante uma limitante patologia, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Para além de te encorajado jovens a seguir a via científica, penso que mais importante ainda foi o facto de ter dado algum alento a quem está igualmente restringido por uma condição debilitante, sendo um exemplo perfeito de que um diagnóstico negativo não é necessariamente um ponto sem retorno e que a genialidade humana permite ultrapassar os limites teóricos à partida previstos.

 

A divulgação científica destinada às massas raramente é produzida por cientistas, sendo este papel normalmente desempenhado por jornalistas ou comunicadores com experiência nos média. De facto, se não há consenso na comunidade académica quanto a equivaler a capacidade de um determinado docente com o seu valor científico, características mais específicas serão requeridas para transmitir informação não a alunos universitários mas ao público leigo em geral. Stephen Hawking foi um dos poucos casos em que a carreira académica, investigação e divulgação científica foram equilibradas com mestria, mesmo com uma condição tão limitante.

 

Para além de educar e inspirar as massas, há uma contribuição para o mundo que Stephen Hawking provavelmente preferiria nunca ter tido de fazer: aumentar a consciência do público para a ELA, o que se reflecte numa maior visibilidade, financiamento para investigação e tratamento da doença. De facto, em 2014/15, o desafio viral do Balde de Gelo conseguiu angariar donativos de mais de 100 milhões de euros para associações de apoio a indivíduos com ELA.

 

Apesar de classificada como doença rara, esta patologia extremamente debilitante, sem causa nem cura, atinge duas em cada 100 mil pessoas por ano, com uma sobrevivência média pós-diagnóstico inferior a quatro anos. Tal como aconteceu com Michael J. Fox e a doença de Parkinson, o infortúnio de uma personalidade carismática, associada à curiosidade mórbida do público, acaba por ter um efeito secundário positivo.

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