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Crónica

Como serão os brinquedos daqui a 20 anos?

As crianças têm passado do espaço físico para o mundo virtual cada vez mais cedo, mas será que isso alterou assim tanto os brinquedos mais “convencionais”?

Texto de Rita de Almeida Neves • 23/11/2017 - 18:23

A Rita é bioquímica por paixão e comunicadora por natureza, fascinada pela eterna busca de gatos pretos em quartos escuros

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Estamos em plena Semana da Ciência e Tecnologia e esta sexta-feira, 24 de Novembro, assinala-se o Dia Nacional da Cultura Científica, mas este texto talvez não seja suficiente para falar sobre a sua importância. Numa relação entre o hemisfério direito e o esquerdo, cheguei a um assunto que pode ser tão criativo como científico: brincar. 

 

Os "porquês" do brincar já me acompanham desde outro evento bem tecnológico, a Web Summit. A verdade, é que por defeito, feitio ou profissão de quem leva a brincadeira muito a sério, entre mil e uma conferências, "Einsteins" e "Sophias", arsenais de start-ups, unicórnios e todos os outros expoentes da inteligência artificial, andei intrigada, vejam só, com o presente e o futuro dos brinquedos.

 

Afinal, qual é e qual vai ser o papel da tecnologia nos brinquedos? Como serão os brinquedos daqui a 20 anos? Foram estas perguntas que decidi fazer a quem também faz da brincadeira o seu dia-a-dia e a torna numa ferramenta de contribuição para o estímulo das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) nos mais pequenos: Robert Lowe, senior global director da LEGO Life, e Miguel Pina Martins, CEO da Science4you.

 

A tecnologia tem transformado a brincadeira de várias formas. Ao longo dos anos, as crianças têm passado do espaço físico para o mundo virtual cada vez mais cedo e com mais diversidade de estímulos e opções, mas será que isso alterou assim tanto os brinquedos mais “convencionais”?  

 

É aqui que entra o elemento-chave do sucesso de brinquedos, como os inconfundíveis blocos de construção da LEGO ou da inovação (renovada) dos brinquedos científicos da Science4you: o poder do processo de criação nas mãos da criança.

 

O ensino da ciência e, acima de tudo, do pensamento lógico e do processo científico através dos brinquedos acaba por ser um bónus no que “realmente importa para quem faz brinquedos — a diversão”, como explica Robert Lowe. Sendo que esse bónus, além de ajudar a criança a compreender o mundo à sua volta, permite que a longo prazo olhem para as áreas STEM de um modo crítico e consciente.

 

Também a Science4you pretende “patamares de diversão altos”, como explica Miguel Pina Martins, “apesar de, à partida, apresentar uma componente educativa mais forte que outros brinquedos”.  

 

As onomatopeias de espanto e de diversão são conseguidas tanto quando constróis a torre mais alta de Lego como quando vês um rocket químico a voar pelos ares. E são estas pequenas grandes descobertas que, depois de sistematizadas, “aguçam a curisiodade e o desejo de saber mais sobre o mundo que nos rodeia”, acrescenta Pina Martins. E "quem sabe" ajudam "um futuro cientista a revelar-se”, remata Lowe.

 

No final, todos concordámos, que daqui a 20 anos, com mais ou menos tecnologia, os brinquedos não terão nada de muito diferente porque crianças serão sempre crianças e o importante é reunir duas necessidades humanas fundamentais: a diversão e a felicidade da partilha da construção. 

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