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Ciência

Eclipse solar: Em Portugal vamos ver a Lua a mordiscar o Sol

A Lua vai passar à frente do Sol e tapá-lo. No território português apenas se vai conseguir ver este fenómeno parcialmente. O espectáculo a sério vai ser nos Estados Unidos. Nessa altura, Bonnie Tyler vai cantar Total Eclipse of the Heart, o seu êxito dos anos 80, num cruzeiro nas Caraíbas

Texto de Teresa Serafim • 21/08/2017 - 12:24

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Esta segunda-feira o Sol vai estar no centro das atenções. Afinal, há um eclipse solar total que vai atravessar (mesmo na totalidade) a parte central dos Estados Unidos, desde a costa do Pacífico à costa do Atlântico. Em Portugal, lá para o final da tarde, também teremos direito a ver o eclipse solar, mas será só parcial. Os cientistas vão aproveitar este fenómeno para obter dados e conhecer melhor o Sol.

 

“A Lua passa em frente do Sol e tapa-o na totalidade” – é desta forma que Rui Agostinho, astrofísico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explica o que é um eclipse total da nossa estrela. Em média, por ano ocorrem dois eclipses solares. “Não é garantido que sejam totais”, avisa o astrofísico. “Muitas dessas vezes [os eclipses] não se vêem em grande parte da Terra, o que nos dá sempre curiosidade”, considera ainda Máximo Ferreira, astrónomo e director do Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia.

 

Há quatro tipos de eclipses solares: o total, em que a Lua tapa o Sol; o anular, quando a Lua cobre o centro do Sol, mas fica visível um anel da estrela; o parcial, em que a Lua tapa parcialmente o Sol; e o híbrido, em que nalguns locais o eclipse é total e noutros é anular.

 

Este eclipse vai ser muito particular: percorre os Estados Unidos de um lado ao outro durante a manhã e o início da tarde (em Portugal é já ao final da tarde e início da noite). A sombra da Lua projecta-se sobre a Terra, ou seja, a região onde o eclipse é total vai fazer a trajectória desde o oceano Pacífico até ao oceano Atlântico, atravessando os Estados Unidos de noroeste para sudeste, indo assim desde a costa do Oregão e até à da Carolina do Sul. A faixa da totalidade do eclipse mede cerca de 160 quilómetros de largura. “O grande show vai ser mesmo nos Estados Unidos. O eclipse corre o país de lés-a-lés”, diz Rui Agostinho.

 

Há algum tempo que os Estados Unidos não tinham um eclipse total que atravessasse assim o país. O site da NASA adianta mesmo que desde 1918 que um eclipse do Sol não se estendia por todo o território norte-americano. E Rui Agostinho diz que não termina aqui: “Neste século, os Estados Unidos vão ter uma série de eclipses.” Em 2024 e 2045 (embora com algumas características e trajectórias diferentes) haverá mais dois eclipses solares totais que atravessam o país.

 

O eclipse desta segunda-feira será ainda visível parcialmente na América do Norte, no Norte da América do Sul, na Europa ocidental, no extremo ocidental do Norte de África, no extremo oriental da Ásia, no Norte do oceano Pacífico e no Atlântico Norte, refere a página do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) na Internet.

 

Como tal, em Portugal continental e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira este eclipse será visível parcialmente. “Na maioria do território nacional, o eclipse parcial será pouco perceptível, pois começa quando o Sol já se encontra próximo do ocaso, altura em que as imagens dos astros apresentam más condições de observação”, indica a página do OAL. “A Lua tapa um bocadinho o Sol. O Sol leva uma dentada”, brinca Máximo Ferreira.

 

“No continente, quanto mais para sul e para litoral, maior será a percentagem do Sol oculta”, refere ainda um comunicado do Planetário do Porto – Centro Ciência Viva. E as horas serão semelhantes em todo o continente.

 

No Porto, o início do eclipse é por volta das 19h44, o seu máximo acontece às 20h22 e a percentagem do Sol oculta é de cerca de 16%. Em Lisboa começa pelas 19h45, às 20h23 atinge o máximo e a área solar coberta vai até aos 19%. Mais a sul, em Faro, o eclipse começa às 19h47 e às 20h27 o máximo da parte tapada chega quase aos 22%.

 

Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores é onde a área coberta será maior. No Funchal, o eclipse começa às 19h48 e no auge, às 20h35, terá coberto 33% do Sol. É o local, em Portugal, em que se verá a Lua a tapar mais o disco solar, segundo o comunicado do Planetário do Porto. Já em Ponta Delgada, o eclipse inicia-se às 18h40 locais, às 19h28 estará no máximo e termina por volta das 20h12, tendo uma cobertura de 28%. Os Açores serão o sítio em Portugal onde o eclipse parcial será visível desde o início até ao fim, ainda que o Sol já esteja baixo no horizonte, refere o OAL.

 

Nos próximo tempos, em Portugal, não teremos a mesma sorte dos Estados Unidos. Apenas haverá em 2026 um eclipse em que o Sol terá uma cobertura de cerca de 90% (e que apanha sobretudo o Norte do país) e em 2028 haverá um eclipse anular que será visível sobretudo no Sul do país, destaca Rui Agostinho. Máximo Ferreira acrescenta que em 2027 e 2081 apenas iremos ver eclipses parciais do Sol (embora em Espanha sejam totais).

 

O último eclipse solar total em Portugal remonta a 1912, informa Máximo Ferreira. “Para acontecer no mesmo sítio, são necessários muitos anos”, frisa. Quando haverá então um eclipse solar total visível? “Só depois de 2100”, indica-nos Máximo Ferreira. Ao longo deste século, ocorrem 68 eclipses solares totais visíveis, mas em Portugal alguns deles serão apenas parciais.

 

Para se observar o Sol, o Planetário do Porto tem uma sessão esta segunda-feira a partir das 19h30 junto à piscina das marés, em Leça da Palmeira. Haverá telescópios com filtros apropriados para se ver o eclipse. Já no Centro Ciência Viva de Constância vai realizar-se uma palestra sobre os eclipses. Depois, lá para as 19h30, começam as observações com telescópios com filtros, filtros solares oculares e a imagem será mesmo projectada num ecrã. Quem quiser participar, basta aparecer a partir das 18h.

 

Caso queira acompanhar o eclipse solar total nos Estados Unidos, pode fazê-lo via streaming através do site da NASA, que estará a segui-lo por mais de 60 telescópios, aviões e balões de alta altitude. A transmissão começa às 17h (horário de Portugal continental) a partir de Charleston, na Carolina do Sul.

 

Este eclipse nem a Hollywood vai escapar. Produtores de filmes e de anúncios de televisão, equipas de filmagens, realizadores e actores têm-se vindo a preparar para o momento. Os realizadores esperaram, sobretudo, o momento em que a Lua cobre o Sol e o brilho da corona fica exposto ao longo do perímetro da nossa estrela. E se há música sobre um eclipse total é Total Eclipse of the Heart, de Bonnie Tyler. Como tal, a própria vai cantar o seu êxito dos anos 80 a bordo de um cruzeiro da empresa Royal Caribbean International, no momento em que a Lua tapa o Sol. “Bonnie Tyler foi uma escolha óbvia para este momento único”, disse Michael Bayley, presidente da empresa à revista Time. 

 

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