Projecto

Piloto afegã dá a volta ao mundo para ensinar ciência às mulheres

Acreditou que a aviação merecia uma maior presença feminina. A bordo de uma avioneta, Shaesta Waiz viaja desde os EUA para 19 países para mudar os números

Texto de Lusa • 20/06/2017 - 10:06

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Shaesta Waiz, de 29 anos, é a primeira piloto feminina afegã certificada e está a sobrevoar o mundo de avioneta para ensinar ciência a mulheres e raparigas de 19 países e cinco continentes diferentes, noticia o El País. A meta é fazer chegar a aeronáutica até elas e mudar o paradigma de uma profissão maioritariamente masculina.

 

Depois da tentativa falhada, em 1937, de Amelia Eearth, Jerry Mock tornou-se a primeira mulher no mundo a fazer uma viagem a solo pelo globo, em 1964. Anos mais tarde, em 2013, Shaesta Waiz, cidadã norte-americana de origem afegã, decidiu seguir as suas pisadas e começou a planear a sua aventura. Desta vez, na bagagem viaja também uma causa.

 

Somados alguns anos de experiência, Waiz sente-se agora capaz de levar a ambição mais longe. Aos 29 anos, inicia uma volta ao mundo a bordo de um Beechcraft Bonanza de 11 metros, para dar a oportunidade a outras mulheres e raparigas de aprenderem mais sobre ciência, tecnologia, engenharia e matemática, ao mesmo tempo que lhes dá a conhecer o mundo da aviação.

 

O projecto surge sob a alçada da organização não-governamental Dream Soar, criada pela piloto e financiada por empresas de tecnologia e aviação. A organização conta com um total de 40 voluntários que prestam auxílio a Waiz durante a viagem. A fundadora explica, ao El País, que “é uma questão de dizer ‘eu acredito em ti’ e transmitir a mensagem de que elas são inteligentes e capazes”.

 

Waiz sobrevoou a terra pela primeira vez com apenas alguns meses de vida, quando a família fugiu do Afeganistão para os EUA, na altura em que o país de origem estava em guerra com a União Soviética, em 1987. É num segundo voo, desta vez em férias e já com 18 anos, que a afegã decidiu que o seu futuro seria pilotar aviões.

 

Shaesta Waiz tornar-se-ia a primeira piloto certificada no seu país e a primeira na família com graus académicos superiores, depois de terminar os estudos de aviação na Universidade Aeronáutica Embry-Riddle.

 

Agora, Waiz quer mudar os números. Segundo os dados da Sociedade Internacional de Mulheres Pilotos de Linhas Aéreas de Espanha, apenas quatro mil dos 130 mil pilotos a nível mundial são mulheres. “Muita gente associa a ciência, a tecnologia e a engenharia, a coisas de homens e é difícil mudar a mentalidade de alguém que foi educado assim toda a vida. Mas há que tentar”, argumenta.

 

A viagem já começou, com fim marcado para Agosto. Na rota estão incluídos países como Espanha, Egipto, Singapura e Austrália, num total de 34 paragens.

 

De acordo com declarações de Waiz ao jornal, a Arábia Saudita foi excluída da lista devido à falta de reconhecimento que o país impõe sobre autoridade feminina. “Há muitas mulheres que pediram permissão para entrar no território aéreo do país e foram ignoradas. No entanto, quando davam a palavra aos seus co-pilotos masculinos, já tinham resposta”, contou. Waiz reconhece, por isso, que as diferenças culturais serão uma barreira.

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