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Filantropia: Três cientistas em Portugal recebem dois milhões de euros

Quatro instituições, incluindo a Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Calouste Gulbenkian, juntaram-se para atribuírem mais de 24 milhões de euros à investigação biomédica durante cinco anos

Texto de Teresa Firmino • 09/05/2017 - 16:00

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Ana Domingos, Catarina Homem e Joseph Paton são os cientistas em Portugal, entre um total de 41 seleccionados em todo o mundo, que vão receber apoio financeiro de uma parceria de filantropia estabelecida entre o Instituto Médico Howard Hughes (EUA), a Fundação Bill e Melinda Gates (EUA), o Wellcome Trust (Reino Unido) e a Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal), foi anunciado esta terça-feira em comunicado pelas instituições. Cada um dos três cientistas receberá 650 mil euros ao longo de cinco anos – o que totaliza quase dois milhões de euros –, para se saber mais sobre a obesidade, as células estaminais e como processamos o tempo no cérebro.

 

Em 2016, as quatro instituições criaram uma parceria para promover o talento científico de investigadores ainda no início da carreira na área da biomedicina. Para tal, comprometeram-se a disponibilizar 26,7 milhões de dólares (24,5 milhões de euros). Concorreram mais de 1400 cientistas de todo o mundo (o programa não está aberto aos países do G7 nem a países e territórios alvo de sanções, como a Síria, o Sudão ou a Crimeia). E agora foi anunciado que 41 investigadores, de 16 países, foram escolhidos, por um painel internacional que avaliou o impacto do trabalho científico já desenvolvido por cada um dos candidatos e as potencialidades da investigação que pretendem vir a desenvolver.

 

Neurónios e adipócitos

Ana Domingos, 40 anos, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, está interessada em estudar os mecanismos neurobiológicos subjacentes à obesidade. Há pouco tempo, descobriu um mecanismo neuronal associado à obesidade, cujos resultados foram publicados no início de Abril na revista Nature Communications.

 

O que a equipa de Ana Domingos encontrou foi uma relação entre o tecido adiposo (o tecido gordo) e um conjunto de neurónios do sistema nervoso (fora do cérebro). Em experiências em ratos, demonstrou que estes neurónios que inervam o tecido adiposo têm um papel importante na degradação da gordura. Ou, dito de outra forma, esses neurónios periféricos, quando são activados, queimam gordura. Ao libertarem uma substância que “comunica” com os adipócitos (as células do tecido adiposo que armazenam gordura no corpo), esses neurónios vão fazer com que a gordura seja queimada. E se estes neurónios periféricos forem eliminados, como mostraram as experiências em ratos geneticamente modificados, sem que o seu cérebro fosse afectado, o processo de aumento de peso é acelerado.

 

Ana Domingos quer continuar estas investigações e agora o novo financiamento irá permitir-lhe procurar novas estratégias moleculares para combater a obesidade. Até porque, como já dizia a cientista portuguesa na altura da publicação do artigo científico na Nature Communications, agora ficaram com uma ideia biológica de como poderá atacar-se a obesidade em humanos com medicamentos. Por isso, a sua equipa estava a trabalhar no desenvolvimento de um medicamento para a obesidade que tem estes neurónios como alvo, sem atingir o cérebro. “É um verdadeiro privilégio e honra ser distinguida por estas instituições”, comenta Ana Domingos, num comunicado do IGC.

 

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