Sexualidade

Novo contraceptivo masculino é seguro, eficaz e barato

É um procedimento reversível à base de um gel injectado nos canais que transportam espermatozóides no escroto. Foi desenvolvido na Índia e poderá ser importante em populações que, por exemplo, não são favoráveis ao uso do preservativo

Texto de Ari Altstedter PÚBLICO/Bloomberg • 17/04/2017 - 10:17

Distribuir

Imprimir

//

A A

Os médicos estão prestes a lançar no mercado um contraceptivo masculino. Mas, em vez de numa grande empresa farmacêutica, a descoberta surgiu numa startup universitária no coração da Índia rural.

 

Anos de testes em humanos do produto injectável que destrói os espermatozóides estão a chegar ao fim e os investigadores preparam-se para o submeter à aprovação das entidades reguladoras. Os resultados obtidos até agora demonstram que o produto é seguro, eficaz e fácil de usar, mas não tem tido muito sucesso junto das empresas farmacêuticas. Isto causa frustração ao seu inventor, que garante que a técnica pode desempenhar um papel crucial em populações que não são favoráveis ao uso de preservativos.

 

Um novo método contraceptivo masculino tem potencial para conquistar até metade do mercado mundial dos contraceptivos femininos, que representa 10.000 milhões de dólares (9420 milhões de euros), e de obter uma fatia das vendas anuais de preservativos, com um valor 3200 milhões de dólares (3010 milhões de euros). Ambos os mercados são dominados pelos gigantes farmacêuticos Bayer, Pfizer e Merck, segundo estimativas da última grande empresa farmacêutica que explorou esta área.

 

O procedimento reversível criado na Índia poderá custar cerca de dez dólares (9,42 euros) nos países pobres e pode fornecer aos homens contracepção que dura anos, ultrapassando problemas relacionados com o uso regular dos métodos contraceptivos e evitando os custos continuados associados aos preservativos e à pílula contraceptiva feminina, que costuma ser tomada diariamente.

 

Também poderia aliviar as 225 milhões de mulheres nos países em vias de desenvolvimento que, segundo a Organização Mundial da Saúde, não obtêm respostas para as suas necessidades contraceptivas. No entanto, até agora, só uma empresa sem fins lucrativos nos Estados Unidos aceitou desenvolver esta tecnologia no estrangeiro.

 

Para Sujoy Guha, de 76 anos, o engenheiro biomédico que inventou o produto, o desafio é encontrar uma empresa que o queira comercializar. Mas, até agora, as grandes empresas farmacêuticas não têm revelado grande interesse na área da contracepção masculina.

 

“O facto de as grandes empresas serem dirigidas por homens brancos de classe média com a mesma ideia — de que nunca usariam isto — tem um papel significativo”, afirmou Herjan Coelingh Bennick, o professor de Ginecologia que ajudou a desenvolver os contraceptivos femininos Implanon e Cerazette, quando era director de investigação e desenvolvimento para a saúde da mulher na Organon International, entre 1987 e 2000. “Se estas empresas fossem dirigidas por mulheres, seria totalmente diferente.”

 

Lê o texto completo em PÚBLICO.PT

Voltar ao topo

|

Corrige
Eu acho que