Ciência

Um rebuçado de microalgas para combater a obesidade?

Investigadores em Portugal coordenam um projecto internacional de 1,3 milhões de euros que vai estudar as cianobactérias como fonte de compostos bioactivos para actuar na obesidade, diabetes e fígado gordo

Texto de Andrea Cunha Freitas • 31/03/2017 - 12:49

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Talvez daqui a três anos já existam os ingredientes necessários para fazer uma cápsula, um rebuçado ou um alimento funcional para combater a obesidade, a diabetes e outras doenças a partir de cianobactérias, microorganismos conhecidos como “microalgas azuis”. O objectivo do projecto Cyanobesity é precisamente esse: desenvolver nos próximos três anos novos compostos nutracêuticos extraídos de cianobactérias marinhas que reduzam os níveis de colesterol, triglicerídeos e glucose no sangue. O plano, que envolve um financiamento de 1,3 milhões de euros e cinco grupos de investigação em quatro países, é coordenado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto.

 

Como tudo na vida, as cianobactérias têm um lado bom e um lado mau. Estes microorganismos que fazem a fotossíntese são, dizem os cientistas, responsáveis pelo aparecimento do oxigénio na atmosfera, há 2000 milhões de anos. Mas as toxinas que libertam e tingem as águas de verde também podem causar problemas ambientais. Mas há mais. Estudos em ratinhos demonstraram o potencial terapêutico das cianobactérias e compostos destes microrganismos já são usados em tratamentos do cancro. Porém, agora, um consórcio que reúne investigadores em Portugal, Suécia, Alemanha e Islândia quer identificar nestes microorganismos novos compostos capazes de combater a obesidade e outras doenças relacionadas, como a diabetes e a esteatose hepática (fígado gordo).

 

O objectivo não é desenvolver um produto farmacêutico, mas antes simplificar este caminho, oferecendo estes compostos como “nutracêuticos” que não necessitam de uma regulamentação tão rígida como a exigida para um fármaco, refere ao PÚBLICO Ralph Urbatzka, investigador do CIIMAR e coordenador do projecto. O conceito nutracêutico – que é relativamente recente, tendo sido lançado por Stephen DeFelice em 1989 – junta dois mundos: o da nutrição e o da farmacêutica.

 

O projecto Cyanobesity ainda está a começar. A primeira fase, que arranca em Maio, será dedicada à produção de biomassa de várias estirpes de cianobactérias seleccionadas da colecção de culturas do CIIMAR, a maior colecção portuguesa e inscrita na Federação Mundial de Colecções de Culturas. Ralph Urbatzka adianta que ainda não está definido o número total de estirpes de cianobactérias que serão avaliadas mas que, para já, o plano é testar pelo menos meia centena.

 

Estas cianobactérias serão investigadas ao pormenor, refere o cientista do CIIMAR, adiantando que vão realizar diferentes bioensaios em peixes-zebra e em vários tipos de células adiposas (que acumulam gordura) e células hepáticas (presentes no fígado). Estas experiências vão permitir isolar os “compostos bioactivos, necessários para a elucidação da sua estrutura química”. “Vamos perceber como estas cianobactérias actuam na redução do colesterol, lípidos e outros indicadores. Vamos rastrear a bioactividade no peixe-zebra, um modelo in vivo, que vai permitir ver a acção destas cianobactérias”, diz Ralph Urbatzka, acrescentando que as experiências serão feitas com “embriões, nos primeiros estágios de vida destes animais”.

 

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