FIU - Jardins Suspensos

Ambiente

Estas plantas não têm vasos e podem ser penduradas

Inspirada numa técnica milenar japonesa, uma jovem arquitecta paisagista criou o Fiu — Jardins Suspensos: são plantas que não necessitam de vasos, apenas um revestimento de musgo

Texto de Ana Maria Henriques • 30/08/2013 - 15:22

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Acontece muitas vezes e neste caso também foi assim: o projecto Fiu — Jardins Suspensos nasceu “de uma brincadeira”. Ana Miguel, arquitecta paisagista, tinha uma ideia para decorar a sala de sua casa: queria uma planta suspensa. Decidiu pesquisar sobre o assunto e descobriu uma técnica milenar, chamada “kokedama”, que lhe permitiu concretizar a ideia. Partilhou o resultado, positivo, no Facebook e percebeu que podia levar a brincadeira mais longe.

 

O Fiu — Jardins Suspensos arrancou em Janeiro de 2013, na Internet. Ana Miguel recria a “kokedama”, que por sua vez deriva da técnica bonsai. “As plantas ‘abandonam’ o vaso de material inorgânico e as suas raízes e torrão são revestidas por musgo”, diz ao P3.

 

Estas plantas, suspensas por fios, permitem o “preenchimento de espaços que não costumam ser ocupados com plantas”, continua. O uso de material orgânico é, também, uma característica relevante dos “fius”, como lhes chama. Quer o invólucro da raiz como o torrão da planta são feitos de musgo — o vaso tradicional não é necessário, assim como uma base estável para o colocar.

 

A “construção” das plantas, como Ana diz, é “inteiramente manual”, um trabalho de moldagem da terra que envolve as raízes. A técnica “kokedama” é associada a novas tendências de decoração de interior com plantas, “onde cada vez mais se tenta transpor o jardim selvagem exterior para o interior da habitação”, refere a jovem que vive e trabalha em Vila Real.

 

Apesar de serem projectadas para serem penduradas, podem ser “simplesmente pousadas em mesas, prateleiras ou janelas”. Já o método de rega é distinto: “Basta colocá-las num recipiente fundo com água, aguardar cerca de cinco minutos para que a água se infiltre na terra e deixar escorrer, antes de voltar a pendurar a planta”. Uma vez que o invólucro “mantém a humidade junto à raiz das plantas por mais tempo que os vasos comuns”, a frequência de rega é reduzida.

 

Ana Miguel trabalha, principalmente, com três grupos ou tipos de plantas: “suculentas, aromáticas e condimentares e fetos”. Os preços dos “kits” começam nos quatro euros e são vendidos através do Facebook, em mercados ou feiras em que Ana participa (sobretudo no Porto, onde nasceu) e na loja Copu D’Uva, em São João da Madeira.

 

Aos poucos, o volume de vendas dos “fius” passou a ocupar “os fins de tarde e noites, depois do trabalho no ateliê” — e prevê-se que continue assim. Surgiram convites para mais mercados, para um “workshop” sobre e técnica japonesa e até para expor as plantas num bar do Porto.

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