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A actividade da associação Surfers Against Sewage está em destaque em "Killing W

A actividade da associação Surfers Against Sewage está em destaque em "Killing Waves"

Carlos Carneiro e Bruno Ramos à esquerda; bandeira da Surfers Against Sewage

A actividade da associação já remonta aos anos 90 quando os surfistas ficaram cansados de estar doentes ("sick of getting sick")

A limpeza das praias é uma das actividades da SAS

Vídeo

Ele venceu um prémio da “Dazed & Confused” e fez um filme

"Killing Waves" retrata a actividade da ONG ambientalista Surfers Against Sewage. Carlos Carneiro foi o vencedor do concurso promovido no Verão pela "Dazed & Confused" e pela TOMS

Texto de Amanda Ribeiro • 28/01/2013 - 20:49

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Carlos Carneiro nunca fez surf, mas foi com uma proposta para fazer um filme sobre a actividade da associação Surfers Against Sewage (SAS) que venceu o prémio do concurso promovido no Verão passado pela revista “Dazed & Confused” e pela marca TOMS. Lançado na semana passada, “Killing Waves” traça o retrato desta associação ambientalista que desde os anos 90 se dedica a proteger as praias e a combater as águas residuais não tratadas (“sewage”) que são despejadas no mar no Reino Unido.

 

Com 32 anos acabadinhos de fazer, Carlos, realizador português a viver em Londres há 12 anos, cidade onde fundou em 2010 a produtora London Session Productions, conta ao P3 que hesitou quando teve conhecimento da competição, exclusiva a realizadores que trabalhassem no Reino Unido. Não tanto pela proposta (fazer um pequeno documentário sobre um grupo inspirador que fizesse diferença numa comunidade local ou no país), mais pelo orçamento que o vencedor teria para concretizar a ideia: 5 mil libras. “Não é muito para fazer um filme, mas decidi fazer uma proposta e enviar”, conta. “Foi quase como jogar na lotaria — se funcionar, funciona.” Parece que alguém anda com sorte ao jogo.

 

Carlos começou por pensar na filosofia “One for One” da TOMS, ela própria “uma marca que inspira” — “compras um sapato e imediatamente uma criança desfavorecida está a receber um sapato”. Não quis para “o mais óbvio” — o Reino Unido recebia então os Jogos Olímpicos —, e, então, regressou aos tempos de “puto”, no Porto, onde acompanhava os seus amigos surfistas às praias de Matosinhos e Leça. Hoje, na casa dos 30, “uniram-se para proteger as ondas”. Por exemplo, se alguém quiser fazer uma construção na zona, “eles fazem pressão” e “chamam à atenção”. Mas tinha de contar uma história do Reino Unido — encontrou, depois de uma pesquisa, a SAS, grupo formado nos anos 90 na Cornualha por uns “putos” surfistas “que ficaram cansados de estar doentes”, com gastroenterites e afins, ao estarem em contacto com águas do esgoto no mar. “Sick of getting sick”, num mais orelhudo inglês. Vinte anos depois, a actividade do grupo estende-se a todo o país. “Percebi depois que são muito respeitados pelo mundo fora, que são uma referência ambiental.”

 

Um filme "cinemático"

Soube que a sua proposta era a vencedora em Agosto e em finais de Outubro arrancavam as filmagens num “timing perfeito”: o encontro nacional da SAS. No início, Carlos e o colega com quem trabalha, Bruno Ramos, encontraram alguma resistência dentro da associação. Queriam falar dos problemas actuais, das actividades actuais, não olhar para a história. Uma semana depois, eram amigos. “Começaram a abrir-se lentamente. No final, adoraram o filme. Nunca imaginaram que saíria com bom gosto.”

 

Carlos e Bruno sabiam que queriam dar um ar “cinemático” ao vídeo. Com um orçamento tão apertado, não podiam colocar um “cameraman” dentro de água. Optaram por levar lentes de longo alcance, mas no primeiro dia de filmagens viram que os surfistas tinham de remar uns 600 metros para apanhar as melhores ondas. Não conseguiriam captar o que queriam. “Felizmente estávamos preparados!” Solução? Câmaras GoPro na cabeça de uns quantos, com direito a nevoeiro “com um ar de D. Sebastião” a princípio, sol no final.

 

No filme, depois de falarem do “clique” do surf, Hugo Tagholm e Andy Cummins da Surfers Against Sewage exlicam por que razão trabalhar numa organização não-governamental (ONG) como esta é “um trabalho perfeito”. “Se nós não estamos lá, as grandes empresas deitam o que quiserem no mar e safam-se.” Para além da limpeza das praias mesmo no Inverno, onde se encontra de tudo, até, por exemplo, cartuchos de espingarda oriundos dos EUA, a SAS faz “pressão política”. Se sabem de alguma construção na costa inglesa, apresentam alternativas com menor impacto ambiental. “Já há exemplos de empresas que os contactam directamente”, diz Carlos, para quem actuação da ONG é “impressionante”. “Eles sabem que nunca vão conseguir limpar a praia completamente, que esta batalha nunca vai chegar ao fim, mas dedicam-se.”

 

Uma pequena vitória, enquanto a estrutura de saneamento não está totalmente montada, foi a implementação de um sistema de alerta que avisa quando uma das 31 mil comportas de esgoto existentes no Reino Unido é despejada no mar. A pessoa subscreve alertas de determinadas praias e quando a comporta é aberta recebe uma SMS. Pode ir na mesma, se quiser, “mas vai informada”.

Eu acho que

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