Este é o resultado de anos de terror ambiental

autoria Ana Marques Maia

// data 30/08/2017 - 16:19

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Não se deixem enganar pela beleza das imagens captadas por Henry J Fair, fotógrafo e activista ambiental norte-americano; elas revelam cenários de verdadeiro terror ambiental. Industrial Scars: The Hidden Costs of Consumption é mais do que um fotolivro; é um compêndio de informação (científica) sobre os efeitos da exploração industrial no planeta. A obra apresenta as consequências da crescente dependência energética das sociedades modernas, revela o impacto da produção alimentar massificada e o custo real do desmesurado consumo que alimenta o modelo de sistema capitalista que vigora na maioria dos estados mundiais. Os segredos mais obscuros da exploração petrolífera, da polémica técnica de fracturação hidráulica (fracking), do processamento de resíduos que resultam da exploração mineira — activa ou inactiva — e da produção agrícola de grande escala são desmistificados neste fotolivro, que resume mais de vinte anos de trabalho do fotógrafo a bordo de pequenas aeronaves da Lighthawk e a Southwings sobre os territórios dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Suécia. Fair não tem por hábito sobrevoar áreas afectadas por acidentes ou catástrofes ambientais, prefere documentar aquilo que considera os crimes quotidianos contra o meio ambiente. Os derrames diários de materiais tóxicos em cursos ou bancos de água, a libertação de gases venenosos para a atmosfera, a devastação física de terreno, que altera ou destrói habitats, são acções humanas contínuas que, na opinião do fotógrafo e activista, resultam nas alterações climáticas que têm vindo a registar-se nas últimas décadas. "De cada vez que consumimos um hambúrguer de uma cadeia multinacional, a última coisa que pensamos é que estamos a destruir a floresta amazónica. Mas estamos. Há enormes áreas de floresta que estão a ser devastadas para a plantação de soja, que é um dos principais alimentos do gado utilizado na produção desses hambúrgueres. Está tudo ligado." É por isso que, além de responsabilizar os governos e as grandes corporações, Fair responsabiliza também o indivíduo. "Os governos tendem a defender os interesses das grandes empresas em detrimento dos interesses dos cidadãos. Mas as empresas respondem directamente à procura dos seus consumidores, o que faz com que esses detenham, afinal, o poder de policiar o comportamento corporativo." O boicote, diz em declarações ao P3, é uma ferramenta eficaz. "Fui com a Greenpeace ao Canadá fotografar a desflorestação causada por uma empresa alemã para produção de papel higiénico e toalhetes. Quando os consumidores se aperceberam da dimensão do problema, manifestaram o seu desagrado boicotando os produtos da marca. A empresa acabou por alterar a matéria-prima e actualmente produz o mesmo artigo, mas com base em papel reciclado." Consumir de forma consciente é imperativo. “É impossível dissociar a devastação ambiental do consumo." Henry J Fair espera que o seu livro, que é prefaciado pelo escritor e activista ambiental Bill McKibben, possa transformar consumidores passivos em activistas. "Os cidadãos têm de insistir na mudança." A conta de instagram do fotógrafo pode ser consultada aqui.

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