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Crónica

Parque, pra quê?

A construção de parques em grandes centros não seria uma espécie de nostalgia dos seres hurbanos pelo natural?

Texto de Pedro Sampaio Minassa • 30/07/2017 - 11:53

Pedro, 20 anos, é cronista por escolha e viajante por necessidade
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No mundo urbanizado em que nascemos e vivemos, com o incentivo que damos, e daremos, à expansão deste modelo, através de nossa contemporany way of life, podemos nos questionar: parques, pra quê? Seriam eles, forma de recuperar a alma do sentimento bucólico na busca do natural? Não é arcadismo algum simplesmente questionar, à luz da psicologia do comportamento, o que os seres hurbanos pretendem com a construção de parques.

 

É sem dúvida um ambiente de alegria, de energia, um lugar de piquenique, de jogar bola, de brincar, andar, correr, se exercitar, de ler um bom livro ou relaxar. Relaxar, de quê? Diríamos que nas grandes “den-cidades” os parques são a famosa válvula de escape do caos urbano, da floresta de concreto e da poluição e do desconcerto. Não importa se a cidade é de um país desenvolvido ou não, para os parâmetros das Nações (Des)Unidas ou desnudadas: de Nova Iorque a São Paulo, de Londres a Pequim, de Joanesburgo a Sydiney, o parque é o refresco do nada refrescante cotidiano urbano.

 

A construção de parques em grandes centros não seria uma espécie de nostalgia dos seres hurbanos pelo natural? É sabido por todos que o ar que corre num parque tem cheiro diferente, o vento que toca as árvores chega ao rosto mais suave, o barulho das aves levam-nos longe daquele ambiente conturbado ou, diríamos, conturbado. As águas daqueles lagos ou chafarizes acalmam e conseguem, só de os olhar, nos refrescar de um calor que sai do asfalto, logo ali do lado, pronto a grelhar os miolos de quem por ele anda, a chapa sempre ardente do churrasco urbano. Parque, pra quê?

 

Para retornar a essência de paz, liberdade e saúde que só a natureza traz. É o paradoxo das cidades. A construção de parques é um dizer, ou quase gritar: - Do jeito que está, não dá! A própria forma com que o concreto trabalha não permite uma atividade pulmonar regular e, talvez seja por isso, que se plantam algumas árvores aqui, perfuram-se poços ali, soltam garças, patinhos e pavões acolá, e há aqueles que até fazendinha têm lá. O que é isso, não seria um pedido de socorro da vida urbana para uma ressurreição da natural vida humana?

 

Não sou inimigo dos parques. Aliás, quanto mais parques e menos parquímetros melhor. O que busco verdadeiramente é entender sua finalidade, eles podem ser considerados, hoje, a prova cabal de que precisamos de espaço livre, onde possamos respirar sem ter que aspirar, refletir sem ter que pedir, andar sem ter que correr, viver sem ter que sobreviver e parar sem ter que pagar.

 

Que em todos os parques, cidades e lugares, possamos parar e nos indagar se passamos por uma transformação evolutiva do solo ou uma inutilização reativa dele, pela urbanização desenfreada. Assim, em um final de tarde, nos poremos a sentar num banco, num parque, e olhando àquele pardal (que nem dali é natural), questioná-lo: - Parque, pra quê? À nossa pergunta existencial, ele continuará indiferente, ciscando restos de pão. Enquanto nós, iremos embora com mais uma: melhor ser pardal ou cidadão?

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