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Crónica

Para todos os ciclistas: “The London to Brighton bike ride“

“The London to Brighton bike ride“, para os amantes do ciclismo, é aquela prova que todos deveriam poder fazer, nem que seja uma só vez

Texto de João André Costa • 19/06/2017 - 10:16

João André criou o blogue Dar aulas em Inglaterra

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Saímos de Londres há hora e meia e estamos parados. Aliás, eu estou parado, estafado, cansado, estoirado, vencido, anafado, sem saber muito bem como ou porquê, talvez dos bolos, talvez das bolas-de-berlim, à beira da estrada (nós, não as bolas) enquanto dois equídeos param de ruminar por pura e simples curiosidade, eles próprios incertos, indagantes, sobre a razão da presença desta criatura que vos escreve mais o seu amigo inglês agora que o relógio bate as 9 da manhã.

 

Estamos a caminho de Brighton em bicicleta, ou estávamos a caminho de Brighton quando, em vez de me faltarem as forças nas pernas (as pernas estão boas), me faltaram as forças nos bracitos para segurar o volante de uma bicicleta cujas 7 mudanças serão (por esta altura ainda não o sei) manifestamente insuficientes para me levar de Londres até Brighton pela primeira vez na minha vida.

 

The London to Brighton bike ride“, para os amantes do ciclismo, é aquela prova que todos deveriam poder fazer, nem que seja uma só vez. E não sei se é por causa dos lagos, das lojas campestres a rebentar de marmelada, as árvores petrificadas, as descidas abruptas ou as subidas acentuadas, os aviões a aterrar em Gatwick, passando pelos típicos ”pubs“ tipicamente a nadar em cerveja típica, os churrascos em caminho e as gordas salsichas em gordo pão alimentado a cebola, sem esquecer os 30000 ciclistas na rua em plena festa o dia todo, mas uma coisa é certa: este dia é único!

 

Sobre duas rodas viajamos, passeamos, pedalamos em corrida ou em amena cavaqueira ao mesmo tempo que as campainhas tocam e as pessoas aplaudem dos dois lados da estrada, do princípio ao fim, à esquerda e à direita, quilómetro após quilómetro, num total de 84, nada mau para amadores.

 

E se a partida se faz em Londres, a chegada ao mar é sublime, estonteante, em reflexos de prateado e ouro, com o mar cada vez mais perto. E eu digo ”há tanto tempo que não te via“, a sussurrar com o mar à vista num dia de Sol, ou não fosse a corrida feita em Junho, ano após ano, naquele que é o evento de ciclismo com fins humanitários mais antigo da Europa. Afinal, pedalamos para recolher dinheiro contra as doenças do foro cardíaco, de modo a apoiar investigação de ponta, ao mesmo tempo protegendo o nosso coração por uma boa causa numa prova onde não há campeões, apenas heróis.

 

É inevitável sorrir. :)

 

Entretanto passaram seis anos e já vou a caminho da minha sexta edição. E se no princípio demorei umas humilhantes 9 horas e meia (não contem a ninguém), no ano a seguir cheguei ao fim em 6 horas e meia, depois 4 horas e meia, depois 4 horas e meia (este ano não me correu bem), 3 horas e 50 minutos e agora, quem sabe, 3 horas e meia?

 

Nem eu sei, e por isso desejem-me boa sorte, lá vou eu outra vez sair de casa às 4 da manhã, quando já é dia (nesta terra de doidos, às 4 da manhã já os esquilos andam a correr, uns atrás dos outros, e todos atrás de mim), partir de Londres às 6 e voar, vale abaixo, vale acima, por planícies e florestas, 4 bicicletas e menos 6 quilos depois, em direcção ao mar, de volta a casa.

 

P.S.: Já acabei! 18 de Junho de 2017 em 3 horas e 20 minutos! Agora já posso cair para o lado.

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