Rede Social

AMA, uma espécie de Tinder para fazer animais (e donos) mais felizes

Carla Maia queria apenas encontrar uma namorada para Big, o seu cão chihuahua, mas acabou a criar uma rede social para todos os animais. Ao unir os bichos, a Agência Matrimonial Animal pode também juntar os donos

Texto de Mariana Correia Pinto • 25/01/2016 - 10:24

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Era um jantar de Verão e a conversa corria animada. Big, o chihuahua de Carla Maia, andava mal de amores e desejoso de uma companhia feminina. À mesa, Carla e os amigos constatavam o azar contínuo do pequeno cão — sempre a cruzar-se com chihuahuas machos e nunca com fêmeas — e discutiam formas de mudar o rumo da história. E, de repente, o clique: e se, na internet, houvesse um espaço onde donos de animais com a mesma dificuldade de Carla pudessem encontrar-se? A AMA, uma espécie de “Tinder dos animais”, está online há três semanas — para disseminar o amor ou fazer nascer simples amizades.

 

No quintal da casa onde Carla Maia cresceu sempre houve animais. Cães, vários, e gatos, chegaram a ser onze. Às vezes, uma das gatas da família aparecia com gatos bebés em casa: “Por alguma razão, ela não conseguia engravidar. Mas achava muita piada ao facto de ter este instinto maternal e roubar gatinhos”, recorda a agora professora de português com 36 anos: “Às tantas, os animais também têm essa necessidade.”

 

Este pensamento ficou-lhe para sempre. E, talvez por isso, fez sentido transformar a brincadeira de arranjar uma namorada para o Big em algo mais sério. Não foi imediato. Carla começou por tentar uma “página canina” no Facebook e, nos passeios com o cão, não desligava nunca o radar “chihuahuas fêmeas”. Sem sucesso. No Verão de 2015, um ano depois da ideia inicial, lembrou-se de pedir ajuda a Luís Cordeiro, amigo e director criativo da agência de comunicação digital Bydas.

 

Da ideia de um “simples ponto de encontro” evoluíram para “uma rede social”, uma espécie de “Tinder para animais”, mas onde a desinteressada amizade também entra. Carla Maia explica o objectivo: “No caso do Big, quero sobretudo que ele seja mais feliz. E gostava que ele tivesse filhos e de puder ficar com outro cão para ele brincar.”

 

Vamos ao site. Com utilização gratuita e aberto a qualquer bicho — cães, gatos, peixes, répteis, roedores, furões, aves e outros —, esta Agência Matrimonial Animal (a sigla AMA vem daí) permite a criação de perfis dos “pets” e a possibilidade de os donos se ligarem e combinarem encontros: seja para acasalamento ou só para passeios e brincadeiras. “Junta animais, mas na verdade também junta os donos dos animais”, sorri Carla.

 

Com um e-mail, nome do animal e fotografia a inscrição fica feita. Depois — como numa normal rede social e em algumas do género, já comuns em países como Brasil e Estados Unidos da América — é adicionar características como passatempos ou comida preferidos, medos e manias, ou, para os mais comunicativos, escrever a história de vida. 

 

Para lá disso, há uma zona de fórum, onde os donos podem comunicar, uma loja, onde a equipa da AMA partilha os produtos mais originais encontrados online, uma área de eventos, também com sugestões de passeios e outras iniciativas para os animais, e ainda um SOS, para já dedicado a animais desaparecidos mas em breve alargado a outros problemas: “Uma pessoa em busca de uma casota pode perguntar se há alguém que tenha uma para oferecer”, exemplifica Carla Maia.

 

A ideia da criação da AMA nunca passou por uma tentativa de mudança de vida. Financeiramente, Carla e a equipa de sete pessoas da BYDAS que desenhou o site querem apenas “cobrir custos” e, para isso, procuram parceiros interessados em participar no projecto.

 

Mais consciencialização e legislação

A professora confessa não ter pensado na AMA como um projecto de defesa dos animais — ainda que tenha como objectivo último fazê-los mais felizes. Há uns anos, num projecto de Classificação Internacional de Funcionalidade criado para alunos do ensino especial, um exercício chamou-lhe a atenção. “Tentava avaliar a forma como estas crianças lidavam com outras pessoas e objectos. E neste capítulo dos objectos incluíam os animais.” Um erro já corrigido mas ainda assim revelador de mentalidades a precisar de mudança.

 

A lisboeta, a residir no Porto desde os três anos, tem até uma visão “muito positiva” da forma como os portugueses tratam os animais: “De uma forma geral julgo que estamos bem”, disse ao P3, congratulando-se com a recente eleição de um deputado pelo partido Pessoas Animais Natureza (PAN). “Mais consciencialização e legislação são bem-vindas”, conclui.

 

Com o pequeno Big, Carla Maia não sente dificuldades especiais no dia-a-dia nem em períodos de férias. A portabilidade do cão com menos de cinco quilos permite levá-lo na carteira para qualquer lado: “Não conheço, de facto, muitos espaços que permitem animais. Mas muitos não permitem e quando peço deixam entrar.”

 

Só na primeira semana da AMA foram feitos cerca de 30 registos no site. O Big continua sem namorada — mas não vai desistir de procurar. Alguém viu por aí uma chihuahua solteira?

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