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“O casting mais monstruoso”: filmar crianças para defender os animais

autoria FAADA

// data 02/06/2015 - 15:29

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Tima é um urso com "multi-empregos" em vários circos, eventos futebolísticos e promocionais, produções audiovisuais e até um espectáculo num centro comercial de Granada, em Espanha. O tigre Noa já foi protagonista em vários anúncios e é estrela de TV. Os seus "empregadores" não perguntaram aos pais se ele podia ir a castings e também não lhes disseram que iam arrancar-lhe as garras para ser mais facilmente amestrada. O chimpanzé Tiby foi criado especificamente para participar em espectáculos. Sabe dançar, servir bebidas e jogar cartas, mas o preço da fama é alto: uma ONG francesa denunciou que o dono do Tiby o mantém em jaulas escuras e isolado de outros animais. Dumba, uma elefante asiática de 35 anos, foi retirada da selva para se tornar propriedade do circo Kludsky, que usa descargas eléctricas para a treinar. Estas são quatro das histórias que a ONG espanhola Fundación para el Asesoramiento y Acción en Defensa de los Animales (FAADA) quer denunciar com a campanha "El cásting más bestia" (O casting mais monstruoso). No vídeo de pouco mais de dois minutos aparecem crianças felizes vestidas de animais a participar num casting. Pouco depois, os pais são confrontados pela equipa sobre as condições das filmagens. "Há a possibilidade de ficarem sem comer no dia antes da rodagem", "às vezes arrancamos dentes, mas só os incisivos, para evitar problemas. Vê algum inconveniente?", "às vezes utilizamos descargas eléctricas". Escandalizados, os pais vão retirando os filhos do estúdio. "Todas as reacções são reais", garante ao El País Jennifer Berengueras, coordenadora de projectos da FAADA. A ONG — que há três anos se empenha na denuncia de maus tratos a animais em publicidade — quis que o público "soubesse o que ocorre" nestes contextos e que se torne mais crítico quando vê um animal "num ambiente que não é o dele". As empresas acusadas pelos espanhóis já vieram negar as práticas relatadas no site da campanha. Mas a FAADA garante que os animais são mal tratados quando usados para fins de entretenimento: "Nem com as melhores intenções seria possível que estes animais estivessem bem." A solução seria simples, apelam: "Se se fizesse cumprir a lei, seguramente poríamos um fim a tudo isto."

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