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Bojan Balen, Patricia Santos e Pedro Marques Alves

Bojan Balen, Patricia Santos e Pedro Marques Alves são os rostos por detrás do "Recicla o Café" DR

99% do café é desperdiçado e as borras acabam quase sempre no lixo

99% do café é desperdiçado e as borras acabam quase sempre no lixo DR

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Outras ideias a concorrer ao desafio da Fundação Calouste Gulbenkian

47 milhões
Em Portugal consomem-se cerca de 47 milhões de quilos de café por ano

Ideias

"Recicla o café" quer reduzir desperdícios e repovoar cidades

Pedro, Bojan e Patrícia querem reciclar as borras de café e transformá-las em cogumelos. Mas o "Recicla o Café" é muito mais do que um projecto anti-desperdício. É uma estratégia para criar emprego e dar novas funções às cidades

Texto de Mariana Correia Pinto • 17/03/2015 - 13:41

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Têm o café como ponto de partida e o repovoamento das cidades como chegada. Pode parecer estranho à primeira leitura, mas rapidamente se entranha. Pedro Marques Alves e Bojan Balen trabalham na área de planeamento urbano na Holanda e, por lá, perceberam há muito que é nas cidades que se vai desenhar o futuro da produção agrícola, usando o desperdício do consumo alimentar como base para novas produções. Quando pensaram em criar um projecto a partir de desperdícios alimentares para ser implementado em Portugal foi fácil chegar ao produto sob o qual poderiam trabalhar: o café, bebida que se consome no país a um ritmo de 47 milhões de quilos por ano, e cujas borras são um substrato rico em nutrientes e minerais.

 

O "Recicla o Café" quer aproveitar o desperdício associado a esta bebida e produzir cogumelos a partir dele. No processo de passar água quente por café torrado e moído, 99% do café é desperdiçado e as borras acabam quase sempre no lixo. A ideia de Pedro e Bojan, desenvolvida com a bióloga Patrícia Santos, passa por aproveitar este substracto, muito presente em meios urbanos.

 

"Este projecto tem muito a ver com aquilo que é a nossa visão de cidade. Acreditámos que o futuro das cidades passa pela criação de sistemas mais sustentáveis e alguns autores têm defendido que também a agricultura passa pelas cidades. Que urbanidade e ruralidade vão conviver no mesmo território", disse ao P3 o arquitecto Pedro Marques Alves.

 

A ideia de transformar borras de café em cogumelos não é nova. O que distingue o "Recicla o Café", esclarece o arquitecto, é a "adaptação da ideia ao território nacional" e a "dimensão cidade". "Não é só um projecto que aborda a questão do desperdício, é um projecto que tem a ver com a economia das cidades, que quer combater o esvaziamento das funções das cidades, repovoá-las e reduzir gastos energéticos", desenvolve.

 

Um protótipo e um laboratório

O trio quer levar a produção agrícola para dentro das cidades e criar um protótipo e um laboratório de pesquisa para o desenvolvimento de outras formas de transformação de desperdícios alimentares. "Queremos ter um edifício com características quase laboratoriais para que a produção seja feita com 100% de colheita garantida", revelou Pedro Marques Alves, destacando que este espaço seria também uma forma de "promover emprego qualificado".

 

O "Reciclar o Café" pretende ainda delinear parcerias com restaurantes e cafés, já que 80% do café consumido em Portugal é bebido fora de casa. "Queremos que sejam nossos parceiros neste projecto. Para a maioria deles, as borras de café são lixo ao fim do dia, mas vamos mostrar que podem ter um valor no futuro. A ideia é que os parceiros sejam beneficiados, ou podendo revender os cogumelos ou através de publicidade."

 

Este projecto está a concorrer ao desafio Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Calouste Gulbenkian, cujos finalistas serão anunciados a 20 de Abril. Mas a ideia, ressalva Pedro Alves, é para ter continuidade, independentemente do sucesso neste desafio: "Considerando o aumento da população mundial e o facto de nos mudarmos cada vez mais para as cidades, é cada vez mais importante pensar nestas estratégias." 

Eu acho que
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