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Um dos desafios é saber como os futuros condutores vão gerir o carregamento

Um dos desafios é saber como os futuros condutores vão gerir o carregamento do veículo eléctrico Reuters/arquivo

Comodidade e inteligência nos carregamentos são pontos-chave do MERGE

Comodidade e inteligência nos carregamentos são pontos-chave do MERGE Reuters/arquivo

Desafios para o futuro

"Smartcharging"
Pôr em prática soluções de carregamento inteligente dos veículos électricos

Distribuição
Garantir uma ligação "muito forte" entre o operador da rede de distribuição e as entidades comercializadoras

Investimento
Apostar mais em cobres ou em transformadores

Ambiente

Carros eléctricos vão ser tendência em 2030

Mobilidade eléctrica avança devagar, mas já há quem antecipe os problemas do futuro: projecto europeu estudou o comportamento dos condutores

Texto de Ana Maria Henriques • 23/11/2011 - 10:00

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Quando em 2030 conduzir um veículo eléctrico for uma situação normal, todos os problemas que hoje assombram este mercado têm de estar identificados, estudados e com soluções encontradas. As novas ansiedades dos condutores têm de ser claras e as opções de carregamento das baterias têm de ser variadas e eficazes, para que trocar um carro tradicional, com motor de combustão interna, por um eléctrico não seja uma dor de cabeça.

 

Foi esse o grande objectivo que norteou, nos últimos dois anos, o projecto MERGE (Mobile Energy Resources for Grids of Electricity): tentar identificar um conjunto de soluções de gestão e de controlo que permitam a integração de um grande número de veículos eléctricos nas redes eléctricas europeias.

 

A coordenação técnica e científica do projecto, que é financiado pela União Europeia, está a cargo do INESC Porto (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores), a par da REN – Rede Eléctrica Nacional, os dois parceiros portugueses, num total de 16 europeus.

 

“Um dos aspectos críticos era saber como é que os futuros condutores vão gerir o veículo eléctrico em termos do seu carregamento”, diz ao P3 Peças Lopes, responsável pelo MERGE. Agora, quando o projecto está a chegar ao fim, são vários os aspectos que podem ajudar a desenhar uma estratégia mais sustentável.

 

"Smartcharging? Not in my back yard!"

“A maioria terá uma preferência por fazer o carregamento das baterias do seu carro no final do dia, no final da última viagem que faz. E, de preferência, o mais próximo possível de sua casa”, descreve Peças Lopes. No entanto, o momento em que se iniciariam os carregamentos corresponde, precisamente, ao pico de consumo de electricidade, o que configura, para Peças Lopes, “um problema grave”.

 

Uma forma inteligente de pensar os carregamentos afigurou-se como o único caminho a seguir. Foi assim que nasceu a filosofia que Peças Lopes apelida de "smartcharging" (carregamento inteligente, numa tradução livre). “No fundo, é carregar a bateria no momento certo e no local certo, de modo a não afectar o funcionamento da rede eléctrica.”

 

E porque a ligação entre o operador da rede de distribuição e as entidades comercializadoras “tem de ser muito forte”, o trabalho conceptual desenvolvido pelo MERGE aponta para a necessidade de uma minimização dos investimentos nas infra-estruturas da rede, sem que isso iniba o desenvolvimento da mobilidade eléctrica.

 

Investir mais em cobres ou em transformadores seria a alternativa que, diz Peças Lopes, não é viável hoje em dia. “Este é momento NIMBY [“Not in my backyard”]. As pessoas não querem mais nenhuma linha a passar por cima de sua casa, nem mais valas abertas nas ruas para meter mais cabos”, explica o responsável.

 

“A mobilidade eléctrica vai avançar devagar”, crê Peças Lopes, até porque enquanto o parque automóvel tradicional não mostrar desgaste, ninguém vai querer fazer a troca. “Estamos convencidos de que, a partir de 2020, o crescimento vai ser mais nítido”, diz, pelo que os estudos do MERGE vão dar jeito.

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