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João Labrincha continua à rasca, é activista da Academia Cidadã e trabalha diari

João Labrincha continua à rasca, é activista da Academia Cidadã e trabalha diariamente para fazer de cada cidadão um político

Excerto

Continuar a dizer que não podemos, que somos poucos, mal preparados e que os espanhóis são super-heróis é, a meu ver, errado e apenas beneficia a casta corrupta governante.

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Crónica

Quem não quer, que se lixe. Quem quer, Podemos!

Temos que criar um partido novo, que não tenha medo de ser governo e que seja uma ferramenta de poder para os que não têm voz

Texto de João Labrincha • 19/12/2014 - 16:47

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Depois da resposta ao meu anterior artigo, decidi aceitar o desafio e fui à Assembleia Cidadã do passado fim-de-semana, organizada pelo Juntos Podemos. Na iniciativa, de onde poderia surgir a constituição de um novo partido inspirado no Podemos espanhol, confirmei a quase totalidade das minhas expectativas. Mas não todas.

 

O BE, apagado. O PCP, aceso, com forte presença de bloqueio, votando pelo adiamento mais longínquo possível de qualquer passo. Nada de novo. Em Espanha também o Izquierda Unida (comunistas) tentou boicotar enquanto pôde. Curioso foi ver o furioso ataque dos PCs à presença de elementos do partido MAS. Do que vi, parece-me que o último quererá ser o equivalente ao Izquierda Anticapitalista, um integrante coligado do Podemos espanhol. E sabendo que ao PCP não interessa o aparecimento de um novo partido é fácil perceber o ataque ao MAS, que parece querer o sucesso da iniciativa (também para se coligar?).

 

Outra ala presente foi a dos antipartidários, que acham que os partidos são entidades malignas e, por isso, nunca quererão fazer nada mais do que um movimento. O PCP soube capitaliza-los mas, ainda assim, juntos, estiveram em minoria.

 

Ora, eu acho que Portugal precisa de maior dinâmica de movimento social e associativo. E tenho contribuído para tal. Mas a experiência fez-me perceber que não é possível promover a mudança urgente de que necessitamos sem um partido que se candidate a eleições. O próprio movimento social e associativo está a ser atacado. A nossa liberdade, saúde, educação, subsistência, as nossas vidas e as dos nossos filhos são diariamente postas em causa!

 

Chegou a altura de sermos consequentes!

 

Temos que criar um partido novo, que não tenha medo de ser governo e que seja uma ferramenta de poder para os que não têm voz. Realisticamente, em 5 anos. Mas para que isso seja possível precisamos de ir às eleições de 2015 conseguir o máximo de votos (e quem sabe eleger alguém) que nos permita ter visibilidade e recursos. Assim, poderemos criar bases sociais – locais, regionais, nacionais e internacionais –, círculos de discussão e actuação, tal como se fez em Espanha. Isto consegue-se com um partido. Com movimentos ou associações, a minha experiência diz-me que é muito difícil.

 

Continuar a dizer que não podemos, que somos poucos, mal preparados e que os espanhóis são super-heróis é, a meu ver, errado e apenas beneficia a casta corrupta governante.

 

O Podemos tinha poucos meses quando se candidatou às Europeias. E elegeu cinco deputados. Não tinha fundamentos políticos, organizativos nem éticos definidos. As assembleias populares do 15-M desconheciam ou eram (e ainda são) muito críticas do partido, estavam em decadência e a grande maioria já nem reunia. Hoje o Podemos está em primeiro lugar nas sondagens.

 

Em Portugal as pessoas estão desejosas por uma alternativa. Existem milhares de grupos e associações culturais, recreativos, ambientais, de intervenção comunitária e social, cheios de activistas experientes, certamente disponíveis a juntar-se a um movimento-partido democrático e participativo. E esses trarão consigo outros tantos, milhares, milhões de participantes e eleitores.

 

Sendo assim, porque é que quem está a iniciar esta dinâmica e tem vontade de fundar um partido continua a pregar sermões aos “Peixes Comunistas e Antipartidários Unidos”?

 

Podemos, sim, olhar para fora da bolha intelectual-vanguardista-urbana que ali se reuniu e chamar mais gente ao processo, de todos os géneros, classes, etnias, formações, mas que queira seguir um rumo comum: contra a casta e não uns contra os outros. A favor dos 99% da população que sofre diariamente com a ganância dos 1%.



 

Eu cá estarei. Porque, do que vi, a maioria das pessoas presentes tem vontade de avançar. Façamo-lo sem medo. Com audácia. E com coragem.

 

Até porque as manobras de que falei só demonstram uma coisa: é a casta quem tem medo de que não tenhamos medo!

NOTA: O nome Juntos Podemos, que está em discussão, parece-me ser má opção porque:

- “Juntos” - plural masculino, é contraditório com a igualdade de género que um partido assim deve defender.

- “Podemos” - não queremos ser uma filial do partido espanhol. Temos dinâmicas diferentes e, apesar da inspiração e dos bons-ventos, casamentos, só com soberania de bens! ;)

Proponho um inquérito/votação online para se encontrar um nome melhor.

Eu acho que
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